segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

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Uma vida inteira precede o momento de admiração...

Admiro um grande vazio.

Depois vem a sensação de fuga, uma fuga que parece encontrar por instantes a liberdade.

Eu vôo.

De repente fecho os olhos com medo do que está por vir.

Chega a queda. E com ela grande barulho. Não daqueles ensurdecedores.

Só um barulho que aos poucos vai diminuindo.

Abro os olhos. Não posso respirar.

Não vejo muito a minha volta. Também não sinto o peso do mundo.

O que deixei para trás? Um grande emaranhado de cores e gritos.

Agora não há mais som algum. A luz chega, mas não me ofusca os olhos.

Paz.

Paz que em poucos momentos vira desespero.

Volto à tona. Preciso respirar.

Está mais frio.

E a clareza das coisas do mundo faz arder mais do que apenas meus olhos.

A vida continua. Foi apenas um mergulho.

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