quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

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Quando se está no olho de um furacão, o vento não te leva, ou pelo menos se tem a sensação de estar inerte. Inerte demais.
Não se ouve nada claramente, são muitos sons juntos... Gritos de socorro, corações se quebrando...

E o que se vê é tudo rodopiando em um mar de agonia sem fim...
O problema maior é que tentar resgatar alguém é arriscado...

O mar de agonia pode te engolir...

É tudo muito perturbador... Mesmo parado os pedaços daquilo que voa ao seu redor te machucam...

Furacões passam rápido, mas o estrago é enorme. Nunca se esquece.

Ficar parado e assistir ao exímio espetáculo de sofrimento é só mais uma forma de cair em agonia...

Mas esse mar é calmo, não te engole esfomeado... Você se afoga aos poucos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O lixo


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Faz bem jogar certas coisas no lixo.

E na verdade fazer isso não é tão fácil como parece.

É que a maioria das coisas guardadas tem algum tipo de significado bom.

Faz bem jogar coisas más no lixo.

E na verdade fazer isso também não é tão fácil como parece.

É que a maioria das coisas guardadas, inclusive as más, tem algum tipo de significado bom.

O problema está em tentar reciclar.

É que a maioria das coisas guardadas, as boas e as ruins que tem algum tipo de significado bom, quando recicladas não voltam a ser como antes. Nem boas nem ruins.

São outras coisas.
Que talvez venham a se tornar coisas a serem guardadas, que tem algum tipo de significado bom, inclusive as más.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Chuva de verão


A chuva de verão vem exatamente quando o Sol está brilhando e você acha que está tudo bem.
De repente escurece, fica frio e chove.

Quando se chora embaixo da chuva sempre se sabe o que é lágrima e o que não é...

E sabe quando se chora tanto que se começa a soluçar e perdemos o fôlego? Temos que puxar o ar no intuito de preencher o vazio deixado por um pedaço arrancado apesar de toda a ventania lá fora...

Espero que na vida seja como com as chuvas de verão que vem não se sabe de onde e duram pouco...


Espero que nunca mais volte...

domingo, 20 de janeiro de 2008

Pra você...

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"Tem coisas na minha vida que eu vou sentir falta, mas vou sentir mais de você..."


Não lembro onde eu ouvi isso... Mas acho que foi em um desses seriados de domingo que passam no SBT. Escrevi no meu celular e deixei nos rascunhos...
Não sei bem porque não te mandei imediatamente, mas agora queria que você soubesse.
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Te amo mais que tudo nessa vida...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Insistência

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Quando o dia está amanhecendo, quando a noite começa a clarear, fica muito frio.
Parece que com tudo é assim.
O frio tenta fazer o dia desistir de amanhecer.
Não adianta. Os dias amanhecem sempre, e sempre faz frio.
Nunca acaba.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Baseado em fatos reais II

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Tem horas que por algum motivo a chama da vela fica forte. E por isso passa a consumir rápido tudo o que existe para ser queimado.
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Mas às vezes a cera da vela não some rápido. Por causa da chama forte, a cera fica líquida antes de sumir.
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E daí tudo aquilo que a chama antes consumira passa a consumir ela própria.
E a chama se torna fraca, fica um azul bonito...
Mas impede que se veja claramente o que tem na frente.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O ano "novo"

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E enfim chegou o Ano Novo. Diria que é um período meio confuso, bom e ruim ao mesmo tempo.
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A parte boa é que afinal um ano acabou (e com ele as festas!) e daí você pensa: Tenho o ano inteiro pra fazer isso e aquilo!
Sabe, o que ninguém percebe é que é exatamente nesse pensamento que mora o perigo... Você fica até março pensando a mesma coisa e quando vê, já se passou um tempão e você não fez nada. E isso faz parte já do lado ruim.
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E não bastasse isso ainda tem a coisa das "resoluções de ano novo". Quando você começa o ano, protelando, nem que seja por um ou dois dias aquilo que tinha planejado fazer você já está descumprindo suas resoluções. E não sei pra maioria das pessoas, mas eu fico com um sentimento de culpa enorme.
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Esse ano eu não pensei em metas pra esse ano. O que no fim das contas é bem ruim. Daí em ter uma resolução: ter resoluções. E a minha segunda resolução é: cumprir as resoluções.
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O fato é que não comecei bem. Repentinamente eu decido por algumas coisas mas depois a falta de ânimo é tamanha que desisto antes de começar. Sabe qual é o problema? Medo de não conseguir. Não é lá uma atitude honrosa mas é bem humana.
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O Ano Novo me traz tantas reflexões ruins quanto o fim do ano. Chego a conclusão que o ano devia se resumir entre os meses de março e outubro.
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Os anos nada têm de novos ou de fins. É tudo a mesma coisa sempre. Só o que muda são os números... Os números da data, da nossa idade, das resoluções não cumpridas...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Baseado em fatos reais

A chama da minha vela sempre se apaga. Sempre.
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Talvez seja uma vela ruim ou talvez o vento seja forte demais.
Talvez seja uma chama fraca ou talvez só falte oxigênio.
Talvez seja tudo isso junto. Talvez não.
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Só sei que é desanimador. Mais fácil deixar a vela apagada.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Tarde de domingo

E tudo começou com o pensamento sobre despedida, abandono e depois veio a caneta em vez do lápis, a agenda, o bloquinho e o Word, o fim e o começo (do caderno e outras coisas).
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Já faz um tempo que não escrevo (em lugar nenhum). E isso até fazia parte dos meus planos, mas acho que adiantei demais o processo. A meta inicial era conseguir escrever (na minha "agenda") todos os dias (em 2007). Não aconteceu. E aqui entraria a parte de "resoluções de ano novo", mas deixa isso prá lá.
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Foi no fim do ano passado que pensei em parar de escrever na minha agenda; e acho até que já comentei algo do tipo aqui. Por algum motivo eu sempre registrava (mais) as coisas ruins. Isso não seria exatamente um problema se eu não ficasse remoendo as coisas. E também acho (é na verdade uma questão de admitir) que havia más intenções em sempre lembrar as coisas ruins... Enfim.
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A despedida
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Uma vez, escutando Legião Urbana, meu namorado me disse que segundo o Renato Russo todas as músicas são sobre despedidas.
Acho que na verdade tudo acaba sendo.
Escrever em diários, agendas, bloquinhos, blogs ou seja lá o que for é só uma forma de se despedir com certo saudosismo daquilo que aconteceu. E é também uma tentativa de se despedir de um certo vazio que ronda a existência.
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O abandono
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Parar de escrever me traz uma sensação enorme de abandono.
Abandono de um projeto, e abandono de um pouco de vida.
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Espero ter boas experiências, inesquecíveis, que me mostrem algum sentido nas coisas, dessa forma não permitindo que eu me lamente por ter parado de escrever.
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A caneta e o lápis
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Lembro de começar a fazer registros em agenda desde os meus 16 anos. Mas era bem esporádico.
O engraçado é que as coisas que possivelmente pudesse me trazer algum desconforto, vergonha ou qualquer coisa do tipo eu preferia escrever à lápis. É mais fácil de apagar e momentaneamente fingir que não aconteceu.
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A coisa da caneta em vez do lápis tem a ver com não deixar as coisas se esvaecerem... Quando se erra alguma coisa e está se escrevendo à caneta, mesmo que passemos um risco por cima, ou até um corretivo, não tem como esconder que antes havia outra coisa.
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A agenda, o bloquinho e o Word
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Quando comecei a escrever eu usava as minhas agendas. Um movimento bem metódico mesmo. Escrever sobre o que aconteceu durante o dia. Nunca tive muito pudor quanto à minha agenda, até mostrei pra uma pessoa. ^^
O fato é que passei a me sentir obrigada a escrever. Não no sentido pejorativo, mas sentia necessidade de escrever, tinha medo de esquecer as coisas que aconteceram. Daí por ser mais rápido comecei a escrever no Word. Mas revendo esse processo, acho que ficou mecanizado e até mesmo impessoal demais.
O bloquinho entrou na metade do caminho. Só escrevia/escrevo nele quando estou bem triste. A parte técnica da história, os motivos, tudo ficava registrado na agenda. No bloquinho ficam registrados pensamentos soltos, que não fazem muito sentido. Pedacinhos de tristeza.
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O fim e o começo
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Esse post não nasceu bem como um post. Estava aflita e queria escrever... Daí peguei um caderno e uma caneta e comecei a escrever.
E o engraçado que foi por conta disso que me veio a cabeça a coisa da caneta, da agenda, e do fim e começo.
Num lapso meio desesperado pensei em começar a escrever do fim do caderno para o início. Só um pensamento meio maluco de tentar correr contra o tempo. Enfim. Acho que não daria muito resultado. Comecei a escrever do começo.
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Acho que eu sempre escrevo coisas sem sentido, mas até agora esse foi o mais confuso dos posts. Foi só o resultado de uma tarde de domingo solitária.