E tudo começou com o pensamento sobre despedida, abandono e depois veio a caneta em vez do lápis, a agenda, o bloquinho e o Word, o fim e o começo (do caderno e outras coisas).
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Já faz um tempo que não escrevo (em lugar nenhum). E isso até fazia parte dos meus planos, mas acho que adiantei demais o processo. A meta inicial era conseguir escrever (na minha "agenda") todos os dias (em 2007). Não aconteceu. E aqui entraria a parte de "resoluções de ano novo", mas deixa isso prá lá.
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Foi no fim do ano passado que pensei em parar de escrever na minha agenda; e acho até que já comentei algo do tipo aqui. Por algum motivo eu sempre registrava (mais) as coisas ruins. Isso não seria exatamente um problema se eu não ficasse remoendo as coisas. E também acho (é na verdade uma questão de admitir) que havia más intenções em sempre lembrar as coisas ruins... Enfim.
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A despedida
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Uma vez, escutando Legião Urbana, meu namorado me disse que segundo o Renato Russo todas as músicas são sobre despedidas.
Acho que na verdade tudo acaba sendo.
Escrever em diários, agendas, bloquinhos, blogs ou seja lá o que for é só uma forma de se despedir com certo saudosismo daquilo que aconteceu. E é também uma tentativa de se despedir de um certo vazio que ronda a existência.
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O abandono
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Parar de escrever me traz uma sensação enorme de abandono.
Abandono de um projeto, e abandono de um pouco de vida.
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Espero ter boas experiências, inesquecíveis, que me mostrem algum sentido nas coisas, dessa forma não permitindo que eu me lamente por ter parado de escrever.
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A caneta e o lápis
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Lembro de começar a fazer registros em agenda desde os meus 16 anos. Mas era bem esporádico.
O engraçado é que as coisas que possivelmente pudesse me trazer algum desconforto, vergonha ou qualquer coisa do tipo eu preferia escrever à lápis. É mais fácil de apagar e momentaneamente fingir que não aconteceu.
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A coisa da caneta em vez do lápis tem a ver com não deixar as coisas se esvaecerem... Quando se erra alguma coisa e está se escrevendo à caneta, mesmo que passemos um risco por cima, ou até um corretivo, não tem como esconder que antes havia outra coisa.
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A agenda, o bloquinho e o Word
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Quando comecei a escrever eu usava as minhas agendas. Um movimento bem metódico mesmo. Escrever sobre o que aconteceu durante o dia. Nunca tive muito pudor quanto à minha agenda, até mostrei pra uma pessoa. ^^
O fato é que passei a me sentir obrigada a escrever. Não no sentido pejorativo, mas sentia necessidade de escrever, tinha medo de esquecer as coisas que aconteceram. Daí por ser mais rápido comecei a escrever no Word. Mas revendo esse processo, acho que ficou mecanizado e até mesmo impessoal demais.
O bloquinho entrou na metade do caminho. Só escrevia/escrevo nele quando estou bem triste. A parte técnica da história, os motivos, tudo ficava registrado na agenda. No bloquinho ficam registrados pensamentos soltos, que não fazem muito sentido. Pedacinhos de tristeza.
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O fim e o começo
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Esse post não nasceu bem como um post. Estava aflita e queria escrever... Daí peguei um caderno e uma caneta e comecei a escrever.
E o engraçado que foi por conta disso que me veio a cabeça a coisa da caneta, da agenda, e do fim e começo.
Num lapso meio desesperado pensei em começar a escrever do fim do caderno para o início. Só um pensamento meio maluco de tentar correr contra o tempo. Enfim. Acho que não daria muito resultado. Comecei a escrever do começo.
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Acho que eu sempre escrevo coisas sem sentido, mas até agora esse foi o mais confuso dos posts. Foi só o resultado de uma tarde de domingo solitária.
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